Vacina para HPV e hepatite B: proteção além da camisinha

 

 

Profissional da saúde preparando seringa com vacina enquanto paciente aguarda sentada, com as mãos visíveis, na sala de atendimento.

Falar de sexo seguro é, antes de tudo, falar de liberdade. E se o preservativo é o aliado número um para prevenir ISTs e o HIV, existe um outro reforço que não pode ficar de fora do nosso radar: as vacinas

Esse é um gesto de autocuidado que começa muito antes de qualquer encontro, garantindo que a saúde esteja em dia para você aproveitar cada momento sem maiores preocupações.

Quais ISTs podem ser prevenidas com vacinas?

O HPV e a hepatite B são duas das ISTs mais comuns hoje em dia e, felizmente, são as que podem ser prevenidas por meio da vacinação. E a melhor parte? As duas vacinas estão disponíveis gratuitamente no SUS, facilitando o acesso ao cuidado e à proteção.

Mas como rola muita dúvida sobre quem pode tomar as vacinas contra o HPV e a hepatite B, quantas são as doses necessárias, as idades cobertas pelo esquema vacinal, entre outras, nós vamos explicar tudo direitinho, a partir de agora, e por que você deve se vacinar. 

Para começar, vamos entender melhor como essas doenças se manifestam e por que você deve se vacinar? Vem com a gente e descubra tudo a partir de agora: 

O que é o HPV?

O HPV, ou papilomavírus humano, como também é conhecido, é uma das ISTs mais comuns no mundo. Existem mais de 200 tipos diferentes desse vírus, e cerca de 40 deles podem infectar a região genital. 

A infecção pelo HPV costuma não apresentar sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu) ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho nu).

Alguns tipos causam verrugas genitais. Sabe aquelas lesões em formato de couve-flor que podem aparecer na vulva e vagina, pênis, ânus ou garganta? Pois é. São elas que podem indicar o contágio por HPV. Outros tipos são considerados de alto risco porque podem levar ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como o do colo do útero e do pênis.

A transmissão acontece principalmente pelo contato sexual, incluindo sexo oral, vaginal e anal. O preservativo ajuda a reduzir bastante o risco, mas a vacinação adiciona uma camada extra de proteção e deve ser feita sempre. 

O que é a hepatite B?

A hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado e pode causar desde uma inflamação aguda até problemas crônicos, como cirrose e câncer de fígado. 

É transmitida por contato com sangue, esperma e outros fluidos corporais de uma pessoa infectada. E, claro, há grande potencial de isso acontecer, principalmente, por meio das relações sexuais sem preservativo, pelo compartilhamento de objetos cortantes ou de agulhas, e de mãe para bebê durante o parto.

Na maioria dos casos, a hepatite B não apresenta sintomas (o que torna a transmissão ainda mais fácil) e, muitas vezes, é diagnosticada décadas após a infecção, com sinais relacionados a outras doenças do fígado. Já quando os sintomas aparecem, podem incluir cansaço, enjoo, dor abdominal, urina escura e pele amarelada.

Como funcionam as vacinas contra o HPV e hepatite B?

Muito se fala sobre a importância de estar em dia com a carteira de vacinação, mas entender “como” as vacinas agem na prevenção nos dá muito mais segurança, não é mesmo? 

Então, vamos mergulhar nesse universo e descobrir por que as vacinas são essenciais no cuidado preventivo?

Vamos começar pela vacina contra o HPV. A que é aplicada no Brasil protege contra os quatro tipos mais importantes do vírus. Dois deles (HPV 16 e 18) são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Os outros dois (HPV 6 e 11) causam, aproximadamente, 90% das verrugas genitais. 

A vacina não contém vírus vivo, então não se preocupe. Ela é segura e não tem como te infectar. Pelo contrário: usa partículas que simulam o vírus para treinar as defesas do organismo e oferecer a você total proteção. 

A vacina contra a hepatite B tem um funcionamento parecido. Ela estimula o corpo a produzir anticorpos específicos contra a doença e é feita com uma proteína da superfície do vírus, produzida em laboratório. Quando você se vacina, seu organismo aprende a identificar essa proteína e cria uma memória imunológica. Se no futuro você tiver contato com o vírus, suas defesas já sabem exatamente o que fazer.

Por isso, não tenha medo: as duas vacinas são seguras, eficazes e passaram por todos os testes necessários antes de serem aprovadas. 

Os efeitos colaterais são toleráveis. O que pode acontecer é uma dor no local da aplicação, vermelhidão ou febre baixa.

Quem pode e quem deve se vacinar?

As recomendações variam de acordo com a idade e situação específica, mas de forma geral, quanto mais cedo você se vacinar, melhor.

O SUS oferece a vacina para o HPV gratuitamente para meninas e meninos de 9 anos a 14 anos de idade. Essa é a faixa etária ideal porque a resposta imunológica é melhor antes do início da vida sexual, quando a pessoa ainda não teve contato com o vírus.

Também podem se vacinar gratuitamente: 

- Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou Aids, transplantados e pacientes oncológicos);

- Vítimas de abuso sexual de 9 anos a 14 anos; 

- Vítimas de abuso sexual de 15 anos a 45 anos;

- Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR), a partir de 2 anos de idade;

- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos.

Se você não se encaixa nesses grupos mas quer se proteger, pode tomar a vacina em clínicas particulares. Vale conversar com o seu médico de confiança e se imunizar!

Já a vacina contra a hepatite B é ainda mais acessível. Ela faz parte do calendário básico de vacinação e está disponível gratuitamente para todas as pessoas, de qualquer idade, que não foram vacinadas anteriormente. Isso mesmo: não tem limite de idade. Se você nunca tomou, pode procurar um posto de saúde hoje mesmo.

Quantas doses da vacina são necessárias?

Aplicação de vacina no braço com seringa, feita por profissional de saúde com luvas.

Cada vacina tem o seu próprio esquema de doses. Seguir direitinho o calendário é importante para garantir a proteção completa. Então, vamos lá: 

Número de doses para a vacina do HPV

A quantidade de doses da vacina pode variar de acordo com a idade em que se inicia a imunização. Confira qual é o número recomendado pelo Ministério da Saúde, conforme a faixa etária e situações específicas:

  • De 9 anos a 14 anos: a vacina deve ser aplicada em dose única;
  • De 15 anos a 19 anos: dose única para não-vacinados;
  • Acima de 20 anos: geralmente são administradas três doses. Importante: para essa faixa etária, a vacina não está contemplada no Calendário Básico do SUS, mas pode ser encontrada na rede privada.
  • Grupos especiais: pessoas vivendo com HIV, imunossuprimidas ou vítimas de violência sexual seguem o esquema de três doses.

Número de doses para a vacina da hepatite B

Para a maioria das pessoas, o esquema padrão para a vacina da Hepatite B segue a regra 0-1-6:

  • 1ª dose: na data escolhida.
  • 2ª dose: 1 mês após a primeira dose.
  • 3ª dose: 6 meses após a primeira dose.

Atenção: em casos específicos, como para pessoas imunossuprimidas, o médico pode recomendar um esquema diferenciado ou doses adicionais para garantir a proteção total.

E não esqueça: é superimportante completar todas as doses indicadas. Tomar só uma ou duas não garante a proteção adequada. Se você começou o esquema e não completou, não precisa recomeçar do zero. Basta voltar ao posto de saúde e continuar de onde parou.

Quais os benefícios da vacinação para a saúde sexual?

A imunização contra o HPV e a hepatite B vai muito além de evitar uma infecção pontual. É um investimento na sua saúde a longo prazo, você concorda?

Enquanto a vacina contra o HPV reduz o risco de desenvolver vários tipos de câncer, como já vimos, ela também ajuda a evitar aquelas verrugas genitais que são chatas de tratar, afetam a autoestima e a saúde. 

Já a imunização contra a hepatite B protege de uma doença que pode se tornar crônica e silenciosa ao longo da vida. Prevenir essa cadeia de complicações com um esquema vacinal simples de ser feito é a melhor escolha, não é mesmo?

Além da proteção individual, também existe o benefício coletivo. Quanto mais gente vacinada, menor a circulação do vírus na população.

A vacina substitui o uso do preservativo no combate às ISTs?

Casal segurando uma camisinha entre as mãos entrelaçadas.

Não. A vacina é uma camada extra de proteção, mas ela não substitui a camisinha de jeito nenhum.

Se as vacinas contra HPV e hepatite B protegem especificamente contra esses vírus, existem muitas outras ISTs que continuam circulando por aí: sífilisgonorreia, clamídia, herpes genital e outras. O preservativo é o único método que protege contra todas elas, ao mesmo tempo que previne a gravidez não planejada.

Mesmo no caso do HPV, a vacina cobre apenas os tipos mais comuns e perigosos do vírus. Então, mesmo vacinado, você pode pegar outros tipos de HPV que a vacina não protege. 

Por isso, combinar vacina com preservativo é a estratégia mais inteligente para cuidar da sua saúde sexual de forma completa.

Onde você pode se vacinar?

Encontrar um lugar para se vacinar é mais fácil do que você imagina. Tanto a vacina de HPV quanto a de hepatite B estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

Procure qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) ou posto de vacinação perto de você. Não precisa de agendamento prévio na maioria dos lugares, mas é sempre bom ligar antes para confirmar o horário de funcionamento e se a vacina está disponível no momento. 

Leve um documento de identidade e, se você tiver, a carteira de vacinação. Caso não tenha a carteira, não tem problema. Eles vão te dar uma nova ou registrar no sistema.

Durante campanhas de vacinação, escolas e outros locais também podem aplicar as doses, especialmente para o público adolescente. Fique de olho nas divulgações da sua cidade.

Se você não se encaixa nos grupos que recebem a vacina de HPV gratuitamente pelo SUS, converse com o seu médico ou procure clínicas particulares de vacinação para mais informações. 

Vacinação e camisinha: o protocolo de saúde sexual perfeito

Independentemente de onde você escolher se vacinar, o importante é dar esse passo. É rápido, seguro e pode fazer toda a diferença na saúde de todos nós. Cuidar de si também passa por usar as formas de proteção disponíveis, e a vacinação é uma delas.

Não deixe sua proteção para depois: camisinha Olla no bolso e vacina no braço são as melhores formas de celebrar sua liberdade, sua saúde e o seu prazer.

Fontes de referência: 

Ministério da Saúde

Fleury Medicina e Saúde

Hospital Albert Einstein

Instituto Butantan

Unimed Serra Gaúcha

Sabin

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