Vasectomia: tudo o que você sempre quis saber sobre o procedimento

Profissional de saúde e outra pessoa analisando informações em uma folha.

Falar sobre vasectomia ainda levanta muitas dúvidas e inseguranças. Tem quem acha que o procedimento afeta a ereção, causa dor excessiva ou que afeta a produção dos hormônios masculinos.

Spoiler: isso tudo é mito.

vasectomia é um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes que existem. Mesmo assim, como qualquer decisão que envolve o próprio corpo, ela pede o máximo de informação antes de ser tomada.

Não dá para se basear só no que o amigo comentou ou no que você ouviu por aí… 

Neste post, reunimos o que realmente importa sobre o assunto: como a vasectomia funciona, quem pode fazer, se é possível reverter, quais cuidados vêm depois do procedimento e como fica a vida sexual. Tudo de forma direta, sem tabu e sem enrolação.

Pronto para esclarecer de vez as suas dúvidas? Então vem com a gente.

O que é a vasectomia?

A vasectomia é um procedimento simples e rápido para quem decidiu encerrar a jornada reprodutiva e não ter mais filhos. Ela impede que os espermatozoides cheguem ao sêmen, evitando a gravidez.

Traduzindo: você continua ejaculando normalmente, mas o líquido que sai não carrega espermatozoides. 

O procedimento consiste em cortar ou bloquear os canais deferentes, que são dois tubinhos que transportam os espermatozoides dos testículos até a uretra.

Vamos explicar de um jeito mais fácil de entender, quer ver? É como fechar uma estrada: os espermatozoides continuam sendo produzidos nos testículos, mas não conseguem mais sair.

Vale deixar claro: a vasectomia não mexe com hormônios, não interfere na produção de testosterona, não causa impotência sexual e não altera em nada a capacidade de sentir prazer ou ter ereção. O que muda é só a composição do sêmen, que fica sem os espermatozoides.

Esse método é considerado permanente, mas a gente vai falar sobre reversão mais à frente. 

Por enquanto, o importante é entender que a vasectomia é um caminho para quem não quer ter filhos ou já tem a família completa e quer um método contraceptivo definitivo.

Como a cirurgia de vasectomia é feita?

Profissionais de saúde com máscaras e roupas cirúrgicas durante procedimento.

Existem duas técnicas principais: a convencional e a sem bisturi. Nos dois casos, o procedimento é rápido, com duração aproximada de 30 a 45 minutos, e feito com anestesia local. Dá para fazer em clínica ou hospital, sem a necessidade de internação. 

Na técnica convencional, o médico faz uma ou duas pequenas incisões na bolsa escrotal para acessar os canais deferentes. Depois, corta os canais, remove um pedacinho e amarra ou cauteriza as pontas. Depois disso, fecha a incisão com pontos.

Já a técnica sem bisturi é minimamente invasiva e apresenta uma recuperação ainda mais rápida e com menos desconforto. Por meio dela, é usado um instrumento especial para fazer um furinho bem pequeno na pele. Através dele, o médico puxa o canal deferente, faz o bloqueio e solta de volta. Geralmente não precisa nem de ponto.
Os dois métodos funcionam bem. A escolha depende da experiência do médico e das condições de cada paciente. O importante é procurar um profissional qualificado e tirar todas as dúvidas antes de marcar o procedimento.

Quem pode fazer vasectomia?

No Brasil, a Lei do Planejamento Familiar estabelece alguns critérios. Pode fazer vasectomia quem tem mais de 21 anos ou pelo menos dois filhos vivos. Além disso, é obrigatório um período de reflexão de pelo menos 60 dias entre a primeira consulta e o procedimento.

Se você é casado ou vive em união estável, o ideal é que a decisão seja conversada com o parceiro ou parceira. Apesar de o consentimento do cônjuge não ser mais obrigatório por lei, essa fase do diálogo faz parte do processo para uma decisão conjunta. Afinal, planejamento familiar é um assunto que impacta na vida dos dois, não é mesmo?

Homens solteiros também podem fazer, desde que se encaixem nos critérios da lei. A única exigência é que você esteja consciente de que ela é um método pensado para ser permanente.

Antes de fazer o procedimento, você vai passar por uma avaliação médica e, em muitos lugares, também por uma conversa com a equipe de saúde para garantir que a decisão é bem-informada. 

Não é burocracia à toa: é para ter certeza de que você entendeu tudo e está confortável com a escolha.

É possível fazer vasectomia pelo SUS?

Sim. Dá para fazer vasectomia de graça pelo SUS em todo o Brasil. O procedimento está disponível para quem se encaixa nos critérios definidos por lei.

Para dar o primeiro passo, é simples: basta procurar uma unidade básica de saúde, trocar uma ideia com o profissional de lá e seguir com o encaminhamento.

A vasectomia é definitiva?

Uma vez feita, a vasectomia é considerada um método contraceptivo definitivo. Isso significa que, na maioria dos casos, ela é pensada para durar a vida toda.

O mais importante é encarar o procedimento como uma escolha de longo prazo, alinhada com o momento de vida de cada um e os planos para o futuro.

A vasectomia é reversível?

Tecnicamente, sim. Dá para tentar reverter uma vasectomia com uma cirurgia chamada vasovasostomia, que reconecta os canais deferentes. Mas não é garantido que vá funcionar e, quanto mais tempo passar desde a vasectomia, menores serão as chances de sucesso.

A reversão é uma cirurgia mais complexa, mais cara e mais demorada. Mesmo quando a reconexão dá certo, nem sempre os espermatozoides voltam a aparecer no sêmen em quantidade suficiente para gerar uma gravidez natural.

Por isso, é importante encarar a vasectomia como uma decisão definitiva. Se você tem dúvidas ou não sabe se quer ter filhos no futuro, vale esperar e pensar melhor.

Existem outras opções de contracepção que não envolvem cirurgia e podem ser mais adequadas para quem ainda não tem certeza, como o uso do preservativo e, para mulheres, do DIU, por exemplo. 

O que faz a vasectomia falhar?

A taxa de falha da vasectomia é superbaixa, menos de 1% quando o procedimento é feito corretamente. Mas falhas podem acontecer e, geralmente, estão ligadas a alguns fatores específicos, como quando há umarecanalização espontânea dos canais que foram separados durante o procedimento, por exemplo.

Outra causa comum dessa “falha” é não esperar o tempo necessário para que os espermatozoides sejam totalmente eliminados. Em geral, são necessárias pelo menos 20 ejaculações para que isso aconteça. Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que, após a cirurgia, seja utilizado outro método contraceptivo durante pelo menos 90 dias.

O espermograma, que é o exame que verifica se ainda existem espermatozoides no sêmen, é obrigatório após a cirurgia. Só quando o resultado mostra ausência completa de espermatozoides é que se pode confiar que o procedimento foi 100% efetivo.

E lembre-se: vasectomia e camisinha não são a mesma coisa! O procedimento evita a gravidez, mas não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, continue usando sua camisinha Olla em todas as relações sexuais depois da vasectomia. Proteção de verdade é proteção completa.

Vantagens e desvantagens da vasectomia

Como qualquer método contraceptivo, a vasectomia tem seus pontos positivos e negativos. Conhecer os dois lados ajuda a tomar uma decisão mais consciente.

Vantagens

- Depois que o espermograma confirma a ausência de espermatozoides, a proteção contra gravidez é de praticamente 100%;

- É um procedimento simples, rápido e de baixo risco. A recuperação é tranquila na maioria dos casos, porém é necessário um período de abstinência sexual, até que haja cicatrização da ferida operatória. O homem deve evitar esforço físico e repousar, em média, por 10 dias;

- Não mexe com hormônios e não tem efeitos colaterais a longo prazo na saúde sexual. Ereção, libido, ejaculação… tudo continua funcionando normalmente.

Desvantagens

- O principal ponto negativo é a permanência. Se você mudar de ideia no futuro, a reversão é complicada, cara e sem garantias;

- Existe um pequeno risco de complicações, como infecção, hematoma ou dor crônica na região escrotal (raro, mas possível);

- Tem gente que sente um impacto emocional ou psicológico depois da vasectomia, especialmente se a decisão foi tomada sem muita reflexão ou sob pressão.

Impactos na vida sexual e reprodutiva

Vamos direto ao ponto que todo mundo quer saber: a vasectomia não muda nada na sua performance sexual

Zero. 

Nada. 

Você continua tendo ereção, sentindo prazer, ejaculando e tudo mais.

A única diferença é que o sêmen não contém mais espermatozoides, mas a quantidade de líquido é praticamente a mesma. Os espermatozoides representam menos de 5% do volume total do sêmen, então nem dá para notar a diferença.

A libido também não é afetada. A vasectomia não mexe com a produção de testosterona, que é o hormônio responsável pelo desejo sexual. Se você tinha vontade antes, vai continuar tendo depois.

O que muda é do ponto de vista reprodutivo. Vasectomia é feita justamente para impedir a reprodução natural. Se no futuro você quiser ter filhos biológicos, as opções são tentar a reversão ou recorrer a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro com extração de espermatozoides direto dos testículos.

Cuidados pós-operatórios e recuperação

A recuperação é geralmente tranquila, mas exige alguns cuidados nos primeiros dias. Seguir as orientações médicas faz toda a diferença para evitar complicações.

Logo depois do procedimento, é normal sentir um desconforto leve na região. Pode ter um inchaço, uma dorzinha chata e até um hematoma pequeno. Nada fora do normal. O médico geralmente receita analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar.

Estes são alguns cuidados recomendados no pós-operatório: 

- Use uma cueca mais justa ou uma suspensão escrotal (tipo uma cueca de apoio) nos primeiros dias. Isso ajuda a reduzir o inchaço e dá mais conforto;

- Evite esforço físico pesado, levantamento de peso e exercícios intensos por pelo menos uma semana. Nada de academia, futebol ou qualquer atividade que exija muito do corpo;

- Pode-se aplicar gelo na região para diminuir o inchaço e o desconforto, por 10 a 15 minutos, a cada 1 ou 2 horas, durante as primeiras 24 horas;

- Uma outra dúvida muito comum de quem se submete ao procedimento é sobre quantos dias depois de fazer vasectomia pode ter relação sexual. O tempo varia de acordo com a orientação médica, mas geralmente é de 5 a 7 dias. 

E lembre-se: use camisinha ou outro método contraceptivo até o resultado do espermograma. Esse exame é solicitado com pelo menos 2 meses após a cirurgia. E, mais uma vez, vale destacar: o preservativoé um aliado duplo, ao proteger contra gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Então, mesmo depois de confirmar o sucesso da vasectomia, considere mantê-lo como parte da sua rotina.

E, claro, fique de olho em qualquer sinal de complicação, como febre, inchaço excessivo, dor muito forte ou secreção na região da cirurgia. Se aparecer algo estranho, procure o médico.

Após duas semanas, a maioria dos homens já está 100% recuperada e volta à rotina normal. Mas não se esqueça de fazer o espermograma no prazo indicado. Esse exame é obrigatório e é o único jeito de ter certeza de que a vasectomia funcionou. Mesmo assim, não esqueça: após a cirurgia, é necessário utilizar outro método contraceptivo durante pelo menos 90 dias.

O mais importante é decidir com consciência

Decidir sobre vasectomia é uma escolha pessoal e importante. Não existe certo ou errado, existe o que faz sentido para você e para o seu momento de vida. 

O essencial é ter informação de qualidade, conversar com profissionais de saúde e, se você tem parceiro ou parceira, incluir essa pessoa na conversa.

 

O procedimento é seguro, eficaz e não precisa de mistério. Quanto mais você entende, mais tranquila fica a decisão. 

Fontes de referência: 

- Biblioteca Virtual em Saúde

- Ministério da Saúde 

- NAV

- Portal Drº Rafael Locali

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